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Detectores de queda para idosos: o que são e quais opções disponíveis

Atualizado: 18 de abr.



Quedas de idosos são um problema de saúde muito importante. Dados da OMS mostram que de 28% a 35% de pessoas com mais de 65 anos sofre algum episódio de queda a cada ano, esses números sobem para 32% a 42% para pessoas com mais de 75 anos e são ainda maiores em idosos institucionalizados. Além disso, a queda é o principal motivo de hospitalização e morte por trauma de pessoas com mais de 65 anos, e está associada com aumento de mortalidade prematura, perda de independência e necessidade de institucionalização.


Esses dados só validam o que idosos e seus familiares já conseguem perceber em seu dia a dia. Assim, por preocupação com as consequências que uma queda poderia trazer para suas vidas, há um aumento de procura por dispositivos que as detectem. Com essa demanda crescente, surgem muitas dúvidas, além do aumento da oferta de produtos que nem sempre cumprem o que prometem. Assim, vamos esclarecer alguns pontos desses dispositivos nesta postagem.


Mas antes, gostaríamos de deixar um alerta: detecção não é prevenção. Os detectores de queda não vão evitar as quedas e as suas consequências, como hospitalização e perda de dependência. Eles vão apenas informar que a queda já aconteceu. Assim, o ideal é sempre trabalhar na prevenção, com atuação nos fatores intrínsecos (biológicos) e extrínsecos (ambientais) para evitar ao máximo a ocorrência do acidente.

Vamos aos detectores!


1. Botões de Emergência


Hoje, existe uma abundância de botões de emergência disponíveis para compra. Esses botões são classificados como dispositivos de detecção ativa de queda, pois não detectam a queda sozinhos e precisam ser acionados por alguém, através de um botão. Quando esses botões são acionados, um serviço de emergência entra em contato para ver se está tudo bem e, se não estiver, um familiar é contatado ou é enviada uma ambulância ao local. A resposta irá depender da empresa e tipo de serviço que você pagar por mês. A grande maioria desses botões não têm detector de queda, então se a pessoa ficar inconsciente após a queda, ou se não estiver usando o pingente com o botão, ele acaba não servindo ao seu propósito. Isso é uma preocupação, pois o tempo que a pessoa fica no chão esperando socorro após a queda irá influenciar diretamente no seu prognóstico. Então, vamos falar dos sistemas que realmente detectam a queda sem precisar de um acionamento por parte da pessoa que caiu.

2. Tipos de dispositivos que detectam quedas

Os sistemas de detecção de queda irão identificar a queda e então irão alertar o contato de emergência (previamente determinado) de forma passiva. Isso ajuda muito, pois a severidade do acidente depende muito do tempo que a pessoa fica deitada após a queda, então se a pessoa cair e perder a consciência, alguém ficará sabendo imediatamente para tomar uma ação. Existem basicamente dois tipos de sistemas de detecção de queda: ambientais e vestíveis (wearables). Os dispositivos ambientais são instalados na parede da casa ou no piso e monitoram apenas aquele ambiente. Então, se a pessoa cair fora de casa, ele não irá detectar a queda. O ponto positivo deles é que a pessoa não precisa usar nenhum tipo de equipamento, então não há o risco do esquecimento ou não adaptação a um relógio ou pingente. Além disso, também pode monitorar se a pessoa se levantou da cama, frequência de idas ao banheiro ou se saiu de casa. Esses sistemas podem funcionar por rádio frequência, infravermelho, câmera, sensor de pressão ou até mesmo microfone, mas ainda são muito difíceis de encontrar no mercado nacional.

3. Wearables

Nos dispositivos vestíveis (wearables), um ou mais tipos de sensores fica preso em alguma parte do corpo como pulso, peito, quadril ou perna. Há inclusive alguns sensores novos que vêm com medição de eletroencefalograma e até com airbag acoplado, para minimizar as consequências da queda. Mas, atualmente, os mais comuns para comprar são os de pulso, como as smartbands ou relógios inteligentes (smartwatches), que usam uma combinação de giroscópio junto com um acelerômetro. No caso específico dos relógios inteligentes mais conhecidos, o algoritmo avalia a trajetória e a velocidade de impacto em comparação com um limite determinado pelo próprio fabricante, mas isso faz com que a acurácia e sensibilidade para detectar uma queda real sejam bastantes baixas. Muitos desses smartwatches geram os chamados falsos negativos (quando há a queda, mas o dispositivo não detecta). Isso acontece porque eles são desenvolvidos principalmente para detectar queda em atividades físicas como ciclismo e corrida. Assim, esses relógios inteligentes podem não detectar a maioria das quedas em idosos, já que nem toda queda será de uma altura elevada e alto impacto. Já os falsos positivos (quando o dispositivo aciona mesmo sem ter acontecido uma queda) acontecem em dispositivos que não conseguem filtrar o que é uma queda do que é um movimento normal do dia-a-dia, como ir ao banheiro ou se sentar para assistir um filme. Os falsos positivos são comuns em dispositivos direcionados ao público idoso e resultam em irritação (já imaginou um relógio apitando toda vez que você se mexe?) e abandono do uso da pulseira ou pingente.

Conclusão

Já deu para perceber que nenhum dispositivo é 100% eficaz na detecção de 100% das quedas, certo? Assim, precisamos ficar de olho para entender bem o que estamos comprando, avaliando o que cada um realmente pode fazer por nós. Mas o importante mesmo é lembrar que nenhum desses dispositivos trabalha com prevenção de quedas e, por isso, não previnem que o acidente realmente ocorra. Para prevenir quedas, é importante falar com seus profissionais de saúde, incorporar atividade física no dia-a-dia e deixar seu lar adequado! Para isso e para uma avaliação específica para o seu caso, peça para que seu profissional de saúde utilize a tecnologia da TechBalance a fim de direcionar a melhor estratégia de manejo para você e entre em contato com a LAR.i para adequar o seu lar!

Julia Trevisan Msc em Engenharia e co-fundadora da LAR.i

Colunista e parceira TechBalance

https://www.larpontoi.com/



Referências Bilbiográficas: ROSEN, T.; MACK, K. A.; NOONAN, R. K. Slipping and tripping: fall injuries in adults associated with rugs and carpets, Journal of Injury and Violence Research, v. 5(1), p. 61-69, 2013 OMS. Global Report on Falls Prevention in Older Age. Geneva: Age-Friendly World | WHO, 2014. Disponível em: https://www.who.int/ageing/publications/Falls_prevention7March.pdf Acesso em: 14 jul. 2021 WANG, Z.; RAMAMOORTHY, V.; GAL, U.; GUEZ, A. Possible Life Saver: A Review on Human Fall Detection Technology. Robotics, v. 9(3), 55, 2020